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Colégio Integrado Monte Maior (Montemor, Loures)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ser Professor é SÓ saber ensinar?

ESTADO DA EDUCAÇÃO

Exercer a actividade de docente é talvez uma das maiores riquezas, é a responsabilidade inerente àquele que a exerce, na passagem dos vários tipos de saberes e fazeres.
Actualmente, é exigido ao professor muito mais que noutras épocas. É que as marcas do tempo, da informação, da cultura e do saber tecnológico não perdoam.
Vocação, competência e aptidão profissional e pedagógica são características que o docente deve possuir, bem como equilíbrio emocional, habilidade e consciência pessoal e relacional para possibilitar o desenvolvimento cognitivo dos seus alunos.
O professor, mesmo face à dificuldade que a palavra professor acarreta, hoje em dia, deve ser um transmissor, um modelo, de forma a praticar e actuar tendo por base estas preocupações (que deveriam ser hábitos). Desta forma é meio caminho para que a aprendizagem se concretize de um modo não meramente superficial, mas enraizado na pessoa humana dos alunos. Esta aprendizagem, não se refere apenas aos saberes ditos convencionais e académicos, mas à maior sabedoria que se pode ensinar: “saber conduzir o outro à meditação do saber”.
O actual estado da educação no nosso país chegou a um ponto onde a educação que deveria iniciar-se em casa, passou a ser mais um papel da escola. Esta educação deve ser feita numa articulação da escola com a família. No entanto, essa articulação não é realizada de forma correcta, sendo que as escolas actuais funcionam literalmente como uns “depósitos” de crianças onde muitas vezes essas crianças aparecem sem qualquer regra.
Daí assistirmos, cada vez mais, a situações de agressões entre alunos, agressões de alunos a professores, agressões de professores a alunos, agressões de alunos a auxiliares. O professor, que é um ser humano, que possui além da vida profissional, vida pessoal (importante aspecto que muitas pessoas não se lembram) faz muitas vezes o papel de educador, pai e/ou mãe, ama.
Exercer a actividade de docente é uma das experiências mais gratificantes e enriquecedoras. No entanto, neste país, é muito fácil exercer esta actividade, mas existe uma grande diferença entre o bom professor/educador e o professor de fachada. Pois possuir um “canudo” é fácil, no entanto não basta. Nos dias de hoje, há que estar preparado para tudo e todas as eventuais funções de gestão e organização que a sociedade exige. A flexibilidade e a polivalência, são competências tão solicitadas nos dias de hoje aos colaboradores de qualquer organização, que não se aprendem nas universidades, são o resultado do acumular das experiências vividas e experimentadas por cada sujeito e melhoradas no quotidiano da sua aprendizagem global e contínua ao longo da sua vida.
Com a prática de tais requisitos, o professor estará, em princípio, um pouco mais apto para “qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho”, apesar de não lhe fornecer todas as ferramentas, pelo menos, prepara-o para enfrentar as múltiplas demandas e vicissitudes sociais.
De que serve dominar o conhecimento, possuir a capacidade de o transmitir se não se for capaz de fazer aprender? Sim, porque nós ao aprender e ao apreender, seja qual for o saber transmitido, o aluno estará em melhores condições para, de um modo independente e crítico, empregar e gerir a informação e o conhecimento obtidos.
A função de educador não deve ser vista só na perspectiva de fornecer ao outro, mas também, na de olhar para si mesmo e a si próprio educar. Não se está sempre a aprender? Então não se exija ao aluno aquilo que não se é capaz de efectuar na primeira pessoa.
Afinal, antes de se ser professor foi-se aluno e, como tal deve-se continuar a ser um eterno aprendiz, com o intuito de realizar uma actualização dos tempos actuais e das competências de uma sociedade em constante transformação.
Um professor é aquele que aprende, ensina, ensina e aprende ao longo da vida, pois não basta entrar num curso com uma nota do secundário extremamente baixa e que nunca teve o trabalho de se esforçar (como acontece no nosso país) e que depois de quatro anos é o “professor de fachada” a quem todos chamam de senhor doutor. Será que a educação deste país vai continuar com o “professor de fachada”?

1 comentário:

Ana Raquel Costa disse...

Está muito bom, sr. Professor. Muitos parabéns!