Quando um jovem se prepara para a escolha de uma carreira profissional, a qual, muitas vezes, será exercida definitivamente, não tem consciência que essa decisão irá ser uma das mais importantes da sua vida. Grande parte destes futuros profissionais atribui maior importância ao prestígio que a carreira escolhida tem no mercado e, claro, ao seu retorno financeiro. Não é de estranhar, portanto, observarmos que cada vez mais alunos optam por cursos mais elitizados, como Medicina, Direito ou Engenharias. No entanto, uma excepção à regra é o curso de Professor, seja de 1º Ciclo, 2º Ciclo, 3º Ciclo, Português, Matemática, Inglês ou Espanhol… No nosso país, o curso de Professor tem cada vez mais adeptos, apesar das condições reais do actual trabalho de docente: instabilidade, incerteza no futuro, vida de “nómada”, mal-remunerados, sobrecarga de trabalho… Apesar disso, todos os anos, acabada a licenciatura, os recém-professores têm esperança no futuro e esperança numa colocação que os agrade. Mas a realidade não é essa.
Depois de terminado o curso, os recém-professores têm a opção de trabalhar: numa área diferente, estar no desemprego ou ser professor contratado durante uns largos anos. Mas a verdade é que o professor contratado não sabe o que o espera no dia de amanhã. Não sabe se vai ser colocado em Bragança ou em Vila Real de Santo António. Todos os anos tem de concorrer a um concurso e passar as férias angustiado, sem saber o que vai acontecer. Desejando até que as férias terminem para que no dia 30 ou 31 de Agosto saibam o seu futuro para o próximo ano lectivo, passando horas a fio em frente ao computador e ansiando para que as suas incertezas de um próximo ano (lectivo) passe a ser uma certeza. Alguns nem se importam onde vão parar, para onde irão mudar a sua vida pelo menos durante 1 ano. O que realmente desejam é a oportunidade de exercer a profissão onde tanto investiram, seja mental ou financeiramente.
Este ano, quase 30 mil professores contratados foram para o desemprego, não conseguindo colocação em nenhuma escola pública. O nível de precariedade laboral mantém-se inalterável. Que futuro para estes professores?
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